Sua marca é de 2001 ou de 2026? O que o caso Shrek nos ensina sobre identidade e evolução das marcas
Em um mercado onde a inteligência artificial facilita a criação de conteúdos cada vez mais sofisticados, atualizar a aparência já não é suficiente. O verdadeiro desafio é evoluir sem perder aquilo que…

Em um mercado onde a inteligência artificial facilita a criação de conteúdos cada vez mais sofisticados, atualizar a aparência já não é suficiente. O verdadeiro desafio é evoluir sem perder aquilo que torna uma marca única.
A nova aparência dos personagens de Shrek voltou a gerar conversas e estranhamento entre pessoas que cresceram assistindo à animação. A reação levanta uma questão que vai além do cinema: o que acontece quando algo muda de aparência, mas deixa de transmitir a mesma sensação de antes?
No universo das marcas, essa reflexão é essencial. Empresas precisam acompanhar mudanças culturais, comportamentos e tecnologias. Mas existe uma diferença entre evoluir para continuar relevante e mudar apenas para parecer atual.
Parecer melhor não significa ser diferente
A inteligência artificial ampliou as possibilidades de criação, acelerou processos e tornou recursos sofisticados mais acessíveis. Porém, produzir mais não significa construir uma marca mais forte.
Um feed organizado não garante posicionamento. Uma campanha bonita não assegura diferenciação. E seguir tendências não significa desenvolver uma identidade reconhecível.
Quando muitas empresas utilizam os mesmos formatos e discursos, a estética deixa de ser suficiente. A diferença está na combinação entre identidade, posicionamento, consistência e experiência.
Afinal, se todas conseguem parecer profissionais, o que faz o cliente reconhecer, lembrar e escolher uma marca em vez de outra?
A promessa precisa existir na prática
Filmes como O Show de Truman e Ela ajudam a refletir sobre a relação entre aparência, tecnologia e conexão humana.
Uma empresa pode comunicar inovação sem rever seus processos. Pode afirmar que coloca o cliente no centro sem considerar suas necessidades nas decisões. Também pode personalizar mensagens sem realmente compreender quem está do outro lado.
Estar presente não é o mesmo que criar conexão. Publicar com frequência, automatizar respostas e aparecer em diferentes plataformas pode ampliar o alcance, mas não garante confiança.
Uma marca consistente precisa alinhar o que comunica ao que entrega, no atendimento, na experiência de compra e na maneira como resolve problemas.
Isso exige mais do que acompanhar métricas: exige escutar, interpretar e transformar as necessidades do público em decisões reais.
Tecnologia com propósito, não por tendência
O CMO Report 2026: Making It Real, da Dentsu Creative, aponta essa importância da escuta: 86% dos profissionais de marketing brasileiros entrevistados afirmaram que ouvir consumidores reais se tornou mais importante em um mundo impulsionado pela inteligência artificial.
O dado reforça uma ideia central: quanto mais acessível se torna a produção de conteúdo, mais importante é compreender o que merece ser produzido.
A tecnologia pode organizar informações, identificar padrões e acelerar tarefas. Mas a estratégia precisa definir como essas possibilidades contribuem para a identidade e os objetivos da marca.
Em Comece pelo Porquê, Simon Sinek defende a importância de compreender o propósito que orienta uma organização. Aplicada ao branding, essa perspectiva mostra por que uma marca não deveria mudar apenas para acompanhar tendências.
Evoluir não é deixar de ser quem você é. É encontrar maneiras melhores de expressar aquilo que torna sua marca relevante.
Como saber se sua marca está evoluindo de verdade?
Antes de investir em uma nova identidade visual, adotar ferramentas ou reformular a comunicação, vale refletir:
- Identidade: sua empresa sabe explicar o que a diferencia das concorrentes?
- Consistência: o que a marca promete corresponde à experiência que entrega?
- Escuta: as necessidades dos clientes influenciam decisões reais?
- Tecnologia com propósito: as ferramentas ajudam a comunicar melhor ou apenas aumentam o volume de conteúdo?
Essas perguntas ajudam a garantir que cada recurso esteja a serviço de uma estratégia, e não tentando compensar sua ausência.
Afinal, sua marca é de 2001 ou de 2026?
A provocação não é sobre a idade da empresa, a data de criação do logotipo ou a quantidade de tecnologias utilizadas.
Uma marca tradicional pode ser extremamente atual. Uma empresa recém-criada pode reproduzir fórmulas ultrapassadas. O que define a evolução é a capacidade de compreender o contexto, responder às mudanças e continuar entregando valor com coerência.
O caso Shrek nos lembra que mudanças na forma podem alterar a maneira como reconhecemos algo familiar. Para as marcas, preservar reconhecimento não significa evitar transformações, mas entender o que deve mudar e o que precisa permanecer.
Em uma era na qual a perfeição visual está cada vez mais acessível, o diferencial não está apenas em produzir uma comunicação impecável. Está em construir uma marca com algo próprio a dizer, e coerência para sustentar o que diz.
Sua marca não precisa apenas parecer de 2026. Precisa estar preparada para o futuro sem perder aquilo que a torna única.



